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Sonhei Que Estava a Voar

(PT)

Sonhei Que Estava a Voar desenvolve-se através de camadas de geografia, memória e imaginação. Investiga de que forma as paisagens absorvem e refletem o desejo humano de progresso, e como essas ambições deslocam tanto as pessoas como os significados enraizados nos lugares. Através da fotografia, da pesquisa de arquivo e da observação in situ, o trabalho examina o concelho de Vila do Conde, nomeadamente: Árvore, Aveleda, Vila Chã, Vila do Conde e Vilar do Pinheiro. Um mapa vivo de histórias interligadas entre o mar, a terra e o ar. O projeto inspira-se na Convenção de Faro do Conselho da Europa (2005), que define o património cultural como um conjunto de recursos herdados do passado que as pessoas identificam, independentemente da propriedade, como um reflexo e expressão dos seus valores, crenças, conhecimentos e tradições em constante evolução. Inclui todos os aspetos do ambiente resultantes da interação entre as pessoas e os lugares ao longo do tempo. Ecoa também o pensamento de Doreen Massey em For Space (2005), onde o espaço é concebido como um produto de inter-relações e possibilidades, um processo em constante formação. Assente neste duplo enquadramento, o trabalho trata a paisagem não como cenário, mas como um campo ativo de forças, onde correntes políticas, económicas e emocionais convergem. Assim, Vila do Conde surge como um palimpsesto de coexistência e contestação, onde os sonhos de progresso têm, repetidamente, redesenhado a sua topografia, as suas infraestruturas e os seus modos de vida.

 

A investigação começou com uma curiosidade cartográfica: a expansão da pista do Aeroporto do Porto sobre o tecido rural de Aveleda. Esta intrusão infraestrutural corporiza o deslocamento num sentido tangível, redesenhando fronteiras e alterando relações antigas entre as pessoas e a terra. O trabalho de campo e a fotografia transformaram essa linha tanto em metáfora como em método, traçando os seus efeitos através das paisagens do quotidiano. A pesquisa de arquivo revelou outra história: a queda de um avião britânico em Vila Chã durante a Segunda Guerra Mundial. Este episódio acrescenta uma camada de deslocamento histórico, onde o sonho de voar, literal e metafórico, paira sobre o território como aspiração e lembrança da fragilidade. Em Vila do Conde, o sonho da modernização manifesta-se no crescimento do aeroporto, no turismo costeiro e na industrialização agrícola. Cada uma destas forças promete progresso, mas gera novos deslocamentos: fragmentação espacial, desigualdade social e erosão da coerência do ambiente construído.

 

Bibliografia:

 

Council of Europe. (2005). Council of Europe Framework Convention on the Value of Cultural Heritage for Society. https://rm.coe.int/CoERMPublicCommonSearchServices/DisplayDCTMContent?documentId=0900001680083744 Massey, D. (2005). For Space. SAGE Publications Ltd.

(EN)

Sonhei Que Estava a Voar (I Dreamed I Was Flying) unfolds through layers of geography, memory, and imagination. It investigates how landscapes absorb and reflect the human desire for progress, and how these ambitions displace both people and the meanings rooted in places. Through photography, archival research, and in situ observation, the work examines the municipality of Vila do Conde, specifically: Árvore, Aveleda, Vila Chã, Vila do Conde, and Vilar do Pinheiro — a living map of interwoven histories between sea, land, and air.

The project is inspired by the Faro Convention of the Council of Europe (2005), which defines cultural heritage as a group of resources inherited from the past that people identify, regardless of ownership, as a reflection and expression of their continuously evolving values, beliefs, knowledge, and traditions. It includes all aspects of the environment resulting from the interaction between people and places over time. It also echoes the thinking of Doreen Massey in For Space (2005), where space is conceived as a product of interrelations and possibilities, a process in constant formation.

Grounded in this dual framework, the work treats landscape not as a backdrop, but as an active field of forces, where political, economic, and emotional currents converge. Vila do Conde thus emerges as a palimpsest of coexistence and contestation, where dreams of progress have repeatedly reshaped its topography, infrastructures, and ways of life.

The research began with a cartographic curiosity: the expansion of Porto Airport’s runway over the rural fabric of Aveleda. This infrastructural intrusion embodies displacement in a tangible sense, redrawing boundaries and altering long-standing relationships between people and the land. Fieldwork and photography transformed this line into both metaphor and method, tracing its effects across everyday landscapes.

Archival research revealed another story: the crash of a British aircraft in Vila Chã during the Second World War. This episode adds a layer of historical displacement, where the dream of flying — both literal and metaphorical — hovers over the territory as aspiration and as a reminder of fragility. In Vila do Conde, the dream of modernization manifests itself through airport expansion, coastal tourism, and agricultural industrialization. Each of these forces promises progress, yet generates new forms of displacement: spatial fragmentation, social inequality, and the erosion of coherence within the built environment.

Bibliography:

Council of Europe. (2005). Council of Europe Framework Convention on the Value of Cultural Heritage for Society.
https://rm.coe.int/CoERMPublicCommonSearchServices/DisplayDCTMContent?documentId=0900001680083744

Massey, D. (2005). For Space. SAGE Publications Ltd.

Expo vilda do conde 2025_01.jpeg

Installation of the project Sonhei Que Estava a Voar within the context of the exhibition Entrelaçar Histórias, Evocar Imagens, at Mercado Municipal de Vila do Conde (July 2025).

Exhibition catalog:

https://digipp.ipp.pt/images/winlibimg.aspx?skey=&doc=193023&img=29684

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